Acabo de terminar de fazer minha última prova (diga: "teste"). Foi de Economia Europeia (assim mesmo, sem acento) e era composta de três questões dissertativas. Duas falavam sobre áreas monetárias ótimas e outra falava sobre as últimas alterações sofridas pelo PEC - Programa de Estabilidade e Crescimento. Eu, logicamente, não sabia muitas coisas e tive de enrolar bastante, como tenho feito costumeiramente desde que cheguei a Portugal. Aqui as pessoas escrevem demais... Todas as provas são no mesmo esquema: às vezes algumas questões de múltipla escolha e verdadeiro ou falso (que aqui são chamadas pelo inverso: "escolha múltipla" e "falso ou verdadeiro"), invariavelmente questões dissertativas (que aqui têm outro nome, mas me esqueci). Como ia dizendo, os portugueses escrevem demais, mais que o necessário. Você achou difícil ler este parágrafo? Agora imagine folhas e folhas lotadas de parágrafos assim, apertados, com uma série de pensamentos sendo vomitados frase a frase, sem pular linhas, lembrando-se de tudo que foi decorado nos últimos dias enquanto ficavam em cima dos livros, slides e apostilas. É assim que eles fazem prova. A questão diz "fale sucintamente". Eles escrevem duas páginas. Se a questão não diz nada, eles escrevem um romance.Sinceramente não sei com o quê. Não é mais fácil responder de pronto aquilo que foi perguntado? No Brasil somos acostumados desde a mais tenra idade que "sucinto" é "sucinto". Talvez em Portugal tenha um significado diferente... Como vamos escrever livros nas respostas se a Fuvest pede que expliquemos coisas mirabolantes em menos de meia página? Os portugueses, por sua vez, teimam em explicar tudo, desde a origem do mundo, sem medir forças para gastar menos papel. E os professores gostam e querem que seja assim. E a gente vai mal.
quinta-feira, junho 14, 2007
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