Braga
Hoje à tarde eu, Marianne e Lívia (feana que está estudando em Chambéry) pegamos o trem para Braga, principal cidade do Minho, região logo ao norte do Porto. Dois feanos estão por lá (ou devem estar) mas não responderam nossos emails. Enfim, saímos sem rumo pela cidade pois esquecemos de levar o guia e o centro de informações turísticas estava fechado... É feriado.
É muito pequena. Acho que se tivesse ido pra lá, morreria de tédio. As atrações são as trinta e cinco igrejas (!) e Bom Jesus do Monte. Sobre esse último lugar eu conto mais quando for, porque dessa vez não soubemos chegar. Mesmo sendo pequena e tendo tantas igrejas, é bem bacana e bonitinha. Foi fundada em 250 a.C. pelos romanos, tem umas muralhas e ruazinhas estreitas. Bem medieval. O principal point é a Praça da República.
Pegamos a festa de carnaval que mais parecia uma quermesse. Havia várias crianças fantasiadas, confete, serpentina, castanhas portuguesas e churros. NÃO TINHA MÚSICA. Era um clima de tranqüilidade que combinava bem com o lugar.
O fato que acaba com a beleza de Braga: é uma cidade ultraconservadora. Talvez por ter sido sede do arcebispado (seja lá o que isso significa) foi ali que começou a revolução de 1926 que levou Salazar ao poder e deu a Portugal meio século de uma ditadura bizarra. Vi vários cartazes nos postes que incitaram as pessoas a votarem "não" no plebiscito sobre a descriminalização do aborto. No Porto, cidade liberal e conhecida por ser foco de várias rebeliões históricas, a maioria dos cartazes pedia para as pessoas votarem "sim".
Esta terça também foi dia de "Carnaval na Invicta".
Conceituação histórica
No século XI Portugal tinha sido invadido pelos mouros. Eles dominaram o sul do país enquanto o norte mantinha-se apegado às origens cristãs. A Reconquista deu-se a partir da saída de Afonso Henriques do Porto, no século XII. Ele foi descendo para a região moura dominando as cidades que encontrava pelo caminho. Entrou em guerra até com sua própria mãe, Teresa. Mais tarde ele se auto-nomeou Rei. Como o Porto não foi invadido pelos mouros, daí o apelido: Invicta.
Enfim, a festa de carnaval aconteceu na avenida dos Aliados, a Paulista barroca dos portuenses, e eu não vi pois ela acabou antes da gente voltar de Braga. Na verdade vi os restos: umas crianças brincando, serpentina no chão e tudo muito arrumado. Depois falarei mais sobre os festejos neste lado do Atlântico.
As fotos no Picasa e no Flickr.
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