Neve em Portugal
Na noite da sexta-feira passada decidimos alugar um carro e ir para a Serra da Estrela. A previsão do tempo falava em chuva, mas decidimos arriscar assim mesmo. No dia seguinte, um Seat Ibiza já estava à disposição e pegamos a estrada.
Ah, as novidades... Não pegamos o tíquete do pedágio e fomos multados em 24 euros. A tarifa, se tivéssemos pego o maldito tíquete, seria de 30 cêntimos. Vamos fazer uma reclamação formal para tentar reaver o dinheiro. Vários minutos depois de rodar procurando por um retorno (além de tudo tínhamos pego a estrada errada), conseguimos encontrar as placas que indicavam Aveiro.
O tal do pedágio existe apenas em algumas estradas. A A1, que liga o Porto e Lisboa, era nosso caminho e para ir daqui até Aveiro pagamos apenas três euros. O asfalto estava em ótimas condições mesmo nas estradas complementares (eles chamam assim as menores que as auto-estradas), que não têm pedágio. Os carros andam, em média, a uns 130 km/h. Nada de Brasílias ou Fuscas, claro. Depois de Aveiro seguimos para Viseu e, então, para Covilhã.
Se você pegar o mapa de Portugal, vai perceber que demos uma volta por fora da Serra, mas é muito rápido pois o país é pequeno. Enfim, Covilhã: uma cidade bem pequena no pé de uma montanha. As ruas vão subindo em curvas na encosta. Muito simpática mas sem nada de tão relevante para ser feito. No alto existe um mirante de onde se pode ver outras cidadezinhas próximas, entre elas aquela na qual nasceu o senhor Pedro Álvares Cabral. Ali já estávamos a 1300 metros de altitude.
Continuamos subindo em estradas minúsculas e perigosas. Mais tarde veríamos estradas menores ainda... Em Covilhã a mulher do Turismo (é assim que se chamam os centros de informação turística por aqui) disse que tinha neve. Eu duvidei pois nada levava a crer nisso. Até que... A temperatura no termômetro do carro diminuía muito rápido e, de repente, um pouco de neve surgiu nas pedras.
Quando chegamos aos 1900 metros de altitude da maior montanha de Portugal, chamada Torre, a temperatura era de meio grau Celsius e a neve tinha uns quarenta centímetros de altura. Pra ajudar, ventava, diminuindo mais ainda a sensação térmica. Depois de rolar na neve, voltamos pra Penhas da Saúde, um povoado entre Covilhã e Torre onde está a Pousada de Juventude.
Curiosamente tinha basicamente velhos hospedados na pousada. São excursões que chegam na Serra durante o sábado trazendo senhores e senhoras (e, às vezes, enormes famílias com crianças barulhentas) para verem a neve. Problema: é gente que não freqüenta hostels e, por isso, não percebe que existem certas regras de convivência.
Uma dessas regras é "não fazer barulho após certo horário". Ignoram-na completamente. Entraram três hóspedes no meu quarto às duas e meia da manhã conversando alto. Como se não fosse suficiente, acenderam a luz e assim ficaram durante eternos cinco minutos. A partir daí não dormi mais quase nada, mesmo porque um deles roncava e outro tinha pesadelos e falava alto... Pela manhã um velho bizarro ficava gritando e cantando no corredor. Crianças corriam. Um inferno.
Subimos o morro novamente, agora querendo chegar à estação de esqui para, talvez, esquiar. A neblina e o vento estavam MUITO mais fortes e rapidamente desistimos da idéia. Rolamos mais um pouco na neve, vimos todos os produtos das lojinhas (tipo cabras de pelúcia que emitem barulhos estranhos, queijos e postais) e comprei uma luva pois toda vez que pegava na neve minhas mãos queimavam e doíam incrivelmente durante vários minutos.
Era hora de voltar pro Porto e viemos pelo meio da Serra. Agora sim sei o que são estradas perigosas. O espaço é mínimo e enormes desfiladeiros passavam ao lado do carro. As imagens pelo menos eram bonitas. Visitamos Manteigas (que também é uma estância termal). Ela fica bem no meio de um vale que foi formado há milhões de anos devido ao peso do gelo que existia ali. Passamos por umas outras, mas sem descer, pois todas cidades são iguais.
No meio do caminho tinha uma pedra que vertia água. Como tinha várias pessoas com garrafões, abastecemos nossas garrafas. Digamos que eu bebi uma água que passou por musgos. Duas horas depois, chegamos na nossa cidade. E não choveu. As fotos.
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