Primeira semana de aula
Aqui, como no Brasil, as aulas só começam de verdade após o Carnaval. Acho que já me decidi e as cadeiras que vou fazer são, com comentários, as abaixo. Ah, uma coisa: a primeira é às segundas, quartas e sextas. As outras quatro são TODAS às terças e quintas.
Financial Economics: a única que farei em inglês, pois o nível do professor é aceitável. Parece puxada. Ele disse que o curso é "ambicioso" e que quer fazer algo "no nível das universidades americanas". MIT, aí vou eu.
Economia Européia: ia fazê-la em inglês, mas o professor fala muito mal. Acabei vendo a versão em português e é muito melhor, inclusive com piadinhas que só os nativos entendem. Ninguém falou nada sobre excursões pra Bélgica (como já teve), mas o assunto é interessante.
Globalização e Subdesenvolvimento: o professor não pára de falar um segundo, é eurocêntrico, liberal e por vezes é difícil de entender o sotaque dele. O programa parece muito bom.
Mercados para a Cultura: a matéria bizarra da minha grade. O sotaque da professora é impossível, mas acho que sairei fluente em português. Ela quer passar um filme do Woody Allen e nos falar sobre a superioridade da arte européia. E é socióloga.
Mercados Financeiros: o professor chegou chegando, de terno e gravata e uma certa autoridade. Pensei que teria de falar "yes, sir!" a qualquer momento. Relevei quando ele disse "não estamos aqui pra brincar", apesar de que iremos brincar de investir em Nova York (um milhão de dólares pra cada dupla e o objetivo é ganhar o máximo de dinheiro). É mais um daqueles com sotaque bizarro. Pesquisando no Google, descobri que ele gosta de rock alternativo, golfe, cinema e... Playstation. Vou ignorá-lo a partir deste momento.
Bibliografias geralmente em inglês, várias provas e trabalhos. O que já descobri é que o Brasil é completamente irrelevante. Na verdade eu já tinha uma certa idéia disso, mas aqui pude ter certeza. Exemplos tupiniquins nunca são citados, nem mesmo para o mal, e o que pega é Europa, América e Ásia. Na verdade o problema não é o Brasil, mas a América Latina. Já tinha ficado meio desconfiado quando li na Economist uma longa matéria sobre "O futuro da África"...
Os alunos da FEP são muito parecidos com os da FEA. A diferença básica é que eles passam os dias inteiros jogando cartas, enquanto a gente trabalha e faz estágio. Fato bizarro: os formandos usam umas capas pretas à Harry Potter e desfilam com elas pelos corredores. Parecem orgulhosos disso. Por que no Brasil não temos esse tipo de coisa? Ok, estou sendo irônico.
Dar aulas em inglês aparentemente é um enorme desafio aos professores. Por que eles teimam? Porque querem mais alunos estrangeiros aqui. O programa Erasmus, de intercâmbio entre universidades européias, é muito forte. A própria União Européia incentiva os alunos a passarem um ou dois semestres longe de casa. E paga pra eles. Até agora vi/conheci gente da Romênia, Turquia, Polônia, Finlândia e milhões de brasileiros.
Alguns deles falam muito mal, como a de Environmental Economics, que além disso tem uma franja branca. Assisti à uma aula por curiosidade, já que Al Gore ganhou um Oscar com "Uma verdade inconveniente". Aliás, como eu tinha sido o único da sala a tê-lo assistido, tive de dizer o que achei. Ela perguntava aos lusófonos coisas do tipo "como se fala 'jornal' em inglês?". Dois alunos portugueses falavam inglês tão bem que eu, se fosse ela, ficaria envergonhado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário