Fim-de-semana
Mais uma vez alugamos um carro e fomos desbravar o interior de Portugal. No sábado conseguimos sair de casa apenas depois do meio-dia pois o técnico estava consertando o termostato que, ao queimar, fez com que ficássemos sem água quente durante dois dias.
A ida para Coimbra foi rápida e fácil. Já estamos nos tornando experts em estradas portuguesas e sabemos que se usarmos as secundárias, não pagamos pedágio.
O rio Mondego corta a cidade ao meio e no alto de um morro fica a Sé Velha e várias faculdades. Coimbra, como se sabe, é sede de uma das mais antigas universidades do mundo e a presença estudantil aparece em várias pixações nos muros antigos das ruas apertadas.
Passamos por escadarias, túneis e subidas íngremes até encontrar a igreja construída no fim do século XII. Vimos no caminho muitas livrarias (uma especializada em design que vendia Lomos) e azulejos. Depois entramos no Paço das Escolas, onde ficam alguns dos prédios mais antigos da Universidade. Lá visitamos a Biblioteca Joanina, do início do século XVII, com vários livros daquela época.
Descemos, pegamos o carro e fomos até Conímbriga. Claro que apesar dessa pequena cidade estar a apenas 16km de Coimbra, nos perdemos. Depois de muitas voltas por estradinhas com cheiro de azeitonas (e, às vezes, azeite), chegamos às ruínas. A atração desse lugar são os mosaicos e paredes semi-destruídas que foram construídas pelos romanos no século I. Meu guia diz que indícios fortes levam os historiadores a crer que são restos de uma cidade celta e, portanto, bem mais antiga. De qualquer maneira, são coisas muito velhas e o conjunto parece o Hopi Hari.
Voltamos pra Coimbra, deixamos nossas coisas no hostel e andamos um pouco pela Praça da República, onde ficam alguns bares e o enorme CA dos estudantes. Alguns deles, aliás, dançavam uma espécie de dança africana no meio da praça. Voltamos pra dormir pois acordaríamos cedo no dia seguinte. Chegando ao quarto, matei uma aranha que andava na minha cama e apaguei a luz.
No domingo fomos ver o lugar onde Inês morreu. Quiseram nos cobrar 1,50 euro por isso e então apenas dissemos "agora Inês é morta" e demos meia-volta. Pegamos a estrada e fomos novamente ouvindo aquela rádio eclética que falei da última vez. Além das bandas já comuns, ouvimos... CSS.
A fila pra pagar o pedágio na entrada de Fátima denunciava: era domingo e domingo é dia de missa. Estacionamos numa das milhares de vagas e fomos até a grande praça onde estão a capela, a basílica e a outra igreja, maior, em construção. Segundo conta a história, foi ali que Nossa Senhora de Fátima surgiu em 13 de maio de 1917. Ela voltou a aparecer todos os meses até 13 de outubro daquele ano, quando setenta mil fiéis (uma quantidade inacreditável de gente para 1917, não?) puderam ver o sol girando (???) enquanto ela falava alguma coisa.
Crenças e descrenças à parte, é um lugar bastante emocionante. Talvez pelo grande número de católicos, pelos sinos tocando, pelas pessoas andando ajoelhadas e pela grande fogueira onde são jogadas as velas. Pessoas se encostam na capela da aparição (no exato local onde a santa surgiu) e ficam rezando durante longos minutos. É como em Aparecida, só que muito mais bonito. Existe um parque onde os romeiros descansam e fazem piqueninque debaixo do sol e a loja vende as coisas de sempre, como imagens, terços, medalhas e santas que brilham no escuro. O destaque histórico fica para um pedaço do muro de Berlim.
Ele está ali pois um dos três segredos de Fátima era a conversão da Rússia. Por "conversão" entenda "sua abertura para o capitalismo". Como a Igreja não poderia deixar por pouco, uma placa está ali afixada com o seguinte dizer do Papa João Paulo II: "Obrigado, celeste pastora, por terdes guiado com carinho maternal os povos para a liberdade!". Por falar em papas, como é medonho o novo Bento XVI! As fotos dele à venda são horríveis!
Pra continuar o tour cristão, fomos conhecer Tomar. Bem no meio da pequena cidade existe uma igreja do século XV. Mas não é só isso. Ao lado dela, uma feira de antigüidades. Mas, definitivamente, não é só isso. No alto, protegendo a cidade, existe o Convento de Cristo. Ele não é bem um convento, ou não é apenas um convento, mas sim um complexo construído pelos cavaleiros templários em 1160 para ser seu quartel-general.
Os templários chegaram a Portugal após um pedido do monarca para ajudá-lo a expulsar os mouros. Esses cavaleiros surgiram na França para proteger peregrinos e membros da Igreja, mas logo começaram a lutar com os Cruzados e angariaram muito poder, chegando a se tornar banqueiros dos ricos da época.
O Convento, que inclui um mosteiro, claustros e várias coisas interessantes é Patrimônio Histórico da Unesco. Achei fantástico andar pelas salas onde os cavaleiros e seus convidados também andaram, jantaram e tramaram ataques aos árabes há mil anos. A União Ibérica foi acordada numa daquelas salas! No centro da igreja que fica no Convento existe um altar do século XII que foi baseado na Igreja do Santo Sepúlcro, em Jerusalém. Aposto que ali aconteceram vários rituais de sacrifício.
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