Nunca estive tão ao Norte do planeta
A Irlanda n��o est�� na ��rea de Schengen
Eu j�� sabia, mas confirmei que a Irlanda est�� fora de Schengen quando desembarquei no aeroporto de Dublin. Schengen �� o nome do acordo assinado entre v��rios pa��ses europeus liberando o controle de passaportes entre eles. Da Uni��o Europ��ia, apenas alguns est��o fora. �� o caso do Reino Unido (Inglaterra, Esc��cia, Pa��s de Gales e Irlanda do Norte) e da Rep��blica da Irlanda.
J�� fiquei nervoso na sa��da de Portugal. O cara do check-in come��ou a perguntar o que a gente ia fazer na Irlanda. At�� onde eu saiba, ele deveria apenas confirmar que eu era eu mesmo... Depois, passamos pela imigra����o portuguesa, respondemos mais umas tr��s perguntas, ganhamos um carimbo e sa��mos da ��rea de Schengen.
Ao chegar em Dublin, mais imigra����o. Havia dois caras pra fazer a fila toda e entre nosso pouso e pisar no ch��o irland��s levamos uma hora. Fiquei preocupado quando vi que estavam enrolando pra liberar duas meninas americanas. Se elas eram americanas e estavam tendo problemas, imagine dois brasileiros... Mesmo assim achei que seria tranq��ilo pois temos o visto portugu��s etc. Bobagem.
Eu achei que seria simples tamb��m porque ele foi razoavelmente simp��tico, perguntou se fal��vamos ingl��s pois o portugu��s dele era "um lixo" e tal. Ficamos uns cinco minutos falando, falando, falando... O cara perguntou porque meu visto acabava em julho! Ora, porque meu curso acaba em julho! Estava ficando cada vez mais nervoso e o ponto m��ximo chegou quando ele perguntou o seguinte: "Do you have di��ero?". Sim! Dessa maneira! Respondi "Money?".
O que me deixava mais nervoso, fora o fato de sermos cidad��os de segunda classe apenas por sermos estrangeiros, era que pra entrar na Inglaterra (na Inglaterra!) me fizeram apenas cinco perguntas e a entrevista toda levou uns trinta segundos. Por que a Irlanda me fez esperar? Eles eram t��o pobres quanto a Gr��cia h�� cinco anos! O que me faria sair do Brasil, conseguir um visto de estudo em Portugal e imigrar ilegalmente pra lavar pratos em Dublin? Por favor... Isso �� trabalho de polon��s! E �� mesmo. Tem milh��es de poloneses por todos os lados e aposto que s��o todos ilegais. Enfim.
Pensei que passar��amos pelos mesmos perrengues na Esc��cia, mas curiosamente n��o teve controle de passaporte nem na ida e nem na volta. Isso significa que eu entrei e sa�� do Reino Unido sem ningu��m saber. Vai entender... Em compensa����o, na volta pra Dublin (nosso v��o pro Porto sa��a de l��) o cara fez perguntas novamente, mas ao ver que j�� t��nhamos entrado uma vez falou "ah!" e carimbou sem mais enrola����es.
Chegamos em Portugal e foi mais ou menos simples. O oficial perguntou pra Marianne onde ela estudava e o que ela tinha ido fazer na Inglaterra. Inglaterra??? Ela disse que teve vontade de responder que foi procurar um emprego l��, mas que descobriu que estava gr��vida e voltou pra ter o filho em Portugal.
Leprechauns e Guinness
Uma cidade simp��tica. O rio Liffey cheira a esgoto quando est�� baixo, mas chega a ser um pouco bonito. A catedral de S��o Patr��cio, o padroeiro do pa��s, �� bem sem gra��a... Tudo �� cinza, menos as pessoas. Os dublinenses adoram usar roupas coloridas, cabelos bi-colores e t��nis brancos. Todos usam t��nis branco. Todos. A vitrine de uma loja s�� tinha... t��nis branco. Outra coisa muito na moda �� usar camisa polo verde com a gola levantada.
Coment��rios s��cio-antropol��gicos �� parte, andamos bastante por l��. Dublin �� bem cara. Pensei que as coisas fossem mais baratas, meio como em Portugal, mas me enganei. Ah, �� f��cil entender o sotaque deles.
O bairro noturno da cidade �� o Temple Bar. Na verdade, esse �� o nome do pub mais conhecido de Dublin, mas a regi��o toda acabou ficando conhecida assim. Imaginei que seria tipo um Bairro Alto de Lisboa, mas �� bem mais tranq��ilo. Tamb��m, �� quase uma cidade do interior onde tudo fecha ��s seis. Claro que logo na primeira noite fomos l�� pra pagar a promessa de beber um pint de Guinness na cidade da Guinness. Pagamos 4,95 euros, o que �� bem caro, mas foi divertido.
Os irlandeses s��o muito simp��ticos, principalmente quando ficam b��bados. Isso �� vis��vel nos pubs. As pessoas chegam e puxam conversa, mas a comunica����o fica complicada quando h�� muito ��lcool envolvido. O sotaque �� f��cil, mas n��o quando se fala b��bado. E ainda me confundiram com italiano. Mais uma nacionalidade pra lista.
No dia seguinte visitamos, entre outras coisas, o Trinity College, fundado pela rainha Elizabeth I em 1592. At�� o meio do s��culo XX, a Irlanda ainda era parte do Reino Unido, coisa que a Irlanda do Norte ainda ��. Dentro de um dos pr��dios estava acontecendo uma feira de livros usados. Compramos alguns. Eu levei dois antigos por cinq��enta c��ntimos cada, incluindo um de 1932! Dentro dele o dono escreveu "Xmas 1932".
Assim que entramos na f��brica da Guinness, imaginamos que est��vamos na Fant��stica F��brica de Chocolates. Eu tinha certeza que o Willie Wonka cervejeiro estaria atr��s duma cascata de ��gua que existe logo na entrada. Aprendemos o processo de produ����o da bebida, experimentamos a semente da qual ela �� feita (tem gosto de caf��) e, no fim, subimos para "o bar mais alto de Dublin" e bebemos nosso pint gr��tis (pre��o do ingresso: 9 euros) vendo a cidade aos nossos p��s.
As janelas do bar 360��, chamado Gravity, t��m inscri����es liter��rias voltadas para pontos espec��ficos. Assim, se num livro algu��m falou da catedral de S��o Patr��cio, a inscri����o t�� voltada pra igreja. E Dublin teve poucos escritores importantes: Oscar Wilde, Bernard Shaw, Yeats, James Joyce, Beckett...
Outra coisa marcante foi a m��sica. S�� ouvi U2 uma vez dentro do pub (no mesmo dia em que comecei a cantar "Sunday Bloody Sunday" e a Marianne ficou com medo) e, claro, Sin��ad O'Connor. Depois de nos lembrarmos que ela �� irlandesa, tivemos de conviver com "Nothing Compares" ressoando em nossas mentes. Dentro das lojas de turistas s�� tocava m��sica t��pica. T��nhamos vontade de dan��ar em roda, mas n��o fizemos isso.
Monstros do lago Ness e kilts
O avi��o descendo no meio das nuvens e finalmente consegui ver a Esc��cia. Tentei lembrar o que eu tinha ido fazer naquele lugar e n��o encontrava respostas... Na verdade, n��o esperava nada de Edimburgo. Inclusive s�� fomos pra l�� porque os dias dos v��os eram bons e eles custaram apenas um c��ntimo. Isso envolveu dormir no aeroporto, mas quem se importa?
Pegamos o shuttle pra cidade e eu fui vendo todos aqueles pr��dios de pedra. Tudo �� de pedra... At�� que entramos na cidade e foi um choque: pr��dios de arquitetura antiga, v��rias bandeiras e o m��gico som das gaitas de fole ��� que se tornou infernal minutos depois.
Edimburgo tem apenas 440 mil habitantes, o que a torna min��scula pra quem mora em S��o Paulo. Ela fica num vale. Um dos morros �� uma forma����o geol��gica incr��vel, uma pedra gigantesca. O outro �� um vulc��o inativo sobre o qual foi constru��do o castelo onde moravam os reis escoceses. Bem no meio existe a linha de trem e um parque, ambos dividindo a cidade nas ��reas nova e velha.
L�� n��o existem muitas atra����es tipicamente tur��sticas, mas o mais legal �� andar pelas ruas vendo o movimento e as lojas. Tudo �� muito peculiar, bonito e hist��rico. Visitamos o castelo gratuitamente (n��o sei porque naquele dia n��o cobraram entrada) e pude ver a Pedra do Destino, onde os reis escoceses eram (e, desde o s��culo XVI, os ingleses s��o) coroados. �� a tal pedra que eu citei quando contei sobre a Abadia de Westminster, em Londres.
Numa tarde qualquer procur��vamos um banco para nos sentar e comer cookies quando encontramos uma igreja. Em frente a ela, uma placa onde l��amos "gente famosa enterrada aqui". Vi a lista e n��o reconheci nenhum nome, fora uma pequena exce����o: Adam Smith. O qu��? O pai da economia moderna est�� enterrado aqui?!?
Supresos, entramos pra procurar o t��mulo dele. Fomos direto aos mais altos, maiores e mais adornados... N��o encontramos. Quando ��amos saindo, vi uma plaquinha no ch��o, rodeada por pedras. Era o epit��fio dele, do tamanho de uma foto 5x7. O t��mulo do autor do pouco influente "A Riqueza das Na����es" n��o tinha nada fora a placa. Esse povo do s��culo XVIII n��o gostava de chamar aten����o.
Li no meu guia que a noite de Glasgow �� muito mais legal que a de Edimburgo. Realmente deve ser, at�� o Franz Ferdinand �� de l��... Mas o que a gente viu de gente andando pelas ruas era absurdo. ��s 23h, uns seis graus, vento e meninas de micro-saia. Isso sem falar das limosines que passavam com jovens gritando.
Realmente Edimburgo me supreendeu e com certeza voltarei, da pr��xima vez tamb��m pra visitar Glasgow e o interior. Incluindo Inverness, onde mora o mundialmente conhecido Nessie, o monstro do lago.
As fotos.
2 comentários:
Simplismente um máximo!!!
Hahaha me diverti com os comentários da imigração!!!
Hahahaha você tem uma casa em Edimburgo...demaissss!!!
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