Napoli
Na verdade, antes contarei um pouco sobre Sorrento e a Costa Amalfitana. Chegamos a Napoles bem cedo, vindo de Genova. Ah, nao falei sobre Genova.
Achei que parece Sao Paulo. Digo, os predios Art Nouveau do centro historico. O resto sao ruelas e um porto. Comprei tres livros de bolso la. Fiquei mais de 24 horas sem tomar banho, peguei o trem noturno e chegei a Napoles aas 6h. Ca chegando, pegamos o trem da ferrovia Circumvesuviana e fomos ate Sorrento.
Deixamos as coisas no nosso bangalo com vista para o mar e fomos descansar na beira da piscina. Depois, andamos pela cidade vendo as garrafas de limoncello (a pinga daqui) e almocamos num lugar muito barato. No fim do dia, fomos ate a praia privativa do lugar onde estavamos.
No dia seguinte, pegamos o onibus para Amalfi. A estrada eh a mais bizarra que ja vi: mal cabe um carro nas duas pistas, varias curvas e um morro altissimo. As vistas sao deslumbrantes e eu apenas ouvia os turistas dizendo "wow!", "amazing!" e "this is crazy!". Andamos pelos becos da cidade, vimos a praia tosca e comemos comida barata novamente. A tarde fomos pra Positano, bem mais simpatica, cheia de lojinhas e ate com uma praia gratuita.
Acordamos cedo no outro dia e voltamos a Napoles. Depois de andar por becos estranhissimos, chegamos no hostel. Na verdade, o dono do hostel nos achou e gritou pela janela... Eh tipo o apartamento dele... Na verdade, eh quase uma favela, mas eh no centro historico da cidade. Depois de mostrar o mapa e nos contar tudo, disse que poderiamos almocar numa pizzaria X que fica perto e eh "a melhor da Italia". Quando estavamos quase pra sair (nos e uma brasileira que encontramos), ele disse "querem comer aqui? eu faco macarrao". E assim almocamos gratuitamente. Acabamos jantando na tal pizzaria com um casal de amigos italianos da Livia. Eles eram beeem italianos: ele era laranja e ela tinha um oculos Armani. Conversamos em frances.
Visitamos a cidade toda com um certo medo de sermos assaltados. Aqui eh tipo Sao Paulo, dizem. Os becos, ruelas e caras em motos ajudam a criar o clima. Alias, tem muitas motos mesmo. E, sim, o transito eh mais caotico do que em Roma. O engracado sao os souvenirs turisticos: figas, pimentas e todo tipo de jogo de azar. Os napolitanos sao muito supersticiosos.. Tambem, vivendo na sombra do vulcao mais conhecido do planeta...
Esse vulcao, o Vesuvio, foi o responsavel pela destruicao de duas cidades em 79 DC: Pompeia e Herculano. Fomos a Pompeia. Sao as ruinas mais bem preservadas que ja vi (e talvez sejam as mais bem preservadas do mundo). A cidade esta quase perfeita: casas, pixacoes (!!!), pinturas, um hospital e ate... uma casa de tolerancia, digamos assim. Ah, e dois teatros. E, claro, os corpos que foram preservados pelas cinzas.
Eh quase incrivel. Certas coisas ficaram impecaveis, como, por exemplo, os dentes e as caras de medo e aflicao. Muitos morreram tentando fugir, entao existem corpos de pessoas caidas no chao. Outros, se contorcendo. Outros ainda, em posicao fetal. Algumas criancas e um cachorro. Mas a maior parte dos corpos esta em Herculano, que eu talvez visite amanha.
Nesse dia que visitamos Pompeia, tivemos uma festa de aniversario aqui no hostel logo cedo, as oito e meia. Uma francesa estava fazendo dezoito aninhos e comemos sfogliatelle recheado com ricota e laranja, um prato tipico da regiao.
Hoje fomos na famosa Ilha de Capri. Pegamos um barco razoavel e chegamos la logo cedo, tipo oito da manha. Era o horario mais barato. Assim que chegamos pegamos outro barco pra dar uma volta na ilha e ir na Gruta Azul, o maior pega-turista da historia. Achamos que seria algo magico.. Como disse o Fernando, feano que encontramos aqui (junto com o Lozano e a Lele), foram segundos magicos. Literalmente. A gente entrou na gruta, deu uma volta e saiu. Pagamos NOVE euros. Mais o preco do barco ateh la: treze euros. Mas pelo menos passeamos, como disse, pela ilha toda.
Ao voltarmos, eles foram pra praia bizarra (de pedra, pequena) e eu fui passear na cidade. Ainda acho praias uma coisa tosca, um bando de gente adquirindo cancer gratuitamente. Bom, subi os tres quilometros (de trenzinho funicular, eh claro) e cheguei na micro-vila que chamam de "cidade". Varias ruazinhas com lojas caras, restaurantes, hoteis... Bonitinho. Nunca vi tanta gente vestida de branco. Parecia o reveillon. Acho que eh chique andar de bermuda branca e camisa Lacoste com a gola levantada! E, claro, Havaianas no pe. As minhas falsas, que comprei por um euro em Berlim, ainda estao funcionando, apesar de ja ter furado meu pe varias vezes.
O dono do hostel acabou de aparecer com uma melancia cortada. Achamos que ele eh da Mafia. Vou parar por aqui pois vamos novamente na pizzaria.
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