Dia de visitar os mortos
O dia mais nublado de todos deve ter sido hoje. Às vezes sentia uma garoa fina caindo... A Torre estava com a parte de cima escondida nas nuvens e comemorei ter escolhido outro dia para visitá-la.
Fui no Hôtel des Invalides para visitar Napoleão. Lá não tem apenas ele enterrado, mas também outros caras menos importantes. Bem de quinta. Tive a sensação que todos os caixões estavam vazios... Inclusive, claro, o do megalomaníaco Napo. Ah, vi a espada que ele usou na batalha de Austerlitz. Ou alguma outra batalha, sei lá.
Apesar de estar dentro de uma igreja, estudantes menores de 25 anos pagam 6 euros para visitar a tumba do imperador e o Musée de l'Armée. O moço da bilheteria devia ter uns 15 anos e ficou horas olhando pra minha carteirinha. Duvido que ele tenha achado minha data de nascimento.
(isso me lembra que ontem, em Versalhes, vi um outro muleque de uns 15 anos carpindo a grama do palácio. imagino que seja um daqueles programas "dia de trabalho com papai".)
Dei uma olhada na praça da Bastilha, onde existia a prisão onde se iniciou a Revolução Francesa. Pensei que fosse me emocionar, mas hoje é uma grande rotatória com um monumento em homenagem à revolución no meio. Ao lado também fica a moderna Ópera da Bastilha. Ali perto fica a Place des Vosges, que meu guia dizia ser "a mais bonita de Paris". Victor Hugo morou naquele lugar. Nada de especial, além de japoneses tirando fotos.
Então fui à pé até o cemitério Père-Lachaise para chorar por Jim Morrison. A caminhada foi extremamente cansativa por uma ruazinha feia e cheia de árabes gritando numa língua incompreensível. Algumas barracas vendiam churrasco grego. Nunca vá da Bastilha até lá desse jeito. O metrô fica pertinho de um dos portões.
Quando finalmente cheguei ao cemitério, descobri que só existem placas com o mapa nas entradas. Alguns minutos depois, achei Jim (do The Doors). E também Molière (do "Avarento"), La Fontaine (das "Fábulas") e Oscar Wilde (dos gays). O túmulo mais legal desses, veja só, é o de Wilde, que fica cheio de marcas de batom devido aos beijos que as mulheres dão na pedra. Uma das pichações dizia que ele foi "um verdadeiro gentleman" e outra era "from Brazil". Bizarro. Queria ver alguns outros, tipo o do Alan Kardec, mas estava cansado demais. E quem gosta de visitar cemitérios mesmo?
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