Londres: de Roma a Canary Wharf
Ainda com os pés e pernas doendo, achei que fosse andar pouco. Nunca estive tão enganado. Voltei na Tate Modern pra ir no escorregador. Foi, como o esperado, muito divertido durante os cinco segundos da descida. Logo às dez e pouco da manhã havia muitas excursões. Numa delas, crianças desenhavam os escorregadores. O que vão aprender com isso se não for aula de educação artística?
Os anglicanos são muito capitalistas e sempre cobram entrada em suas igrejas. Resolvi comprar o ingresso pra Saint Paul's (pago no cartão de crédito, veja só) depois de ter visto uma foto gigante de Londres em chamas devido aos bombardeios alemães enquanto a catedral se mantinha firme e forte. Ao lado, a frase do Churchill: "Temos de salvar St. Paul's a qualquer custo!". Arrepiante.
Apesar de ser cenário de eventos importantes (como o casamento de Charles e Diana ou o funeral do Sir Winston Churchill da frase acima), não há nada de muito interessante lá. É bonito, mas o mais legal fica no alto, e não é o paraíso.
Cento e tantos degraus acima fica a Whispering Room, onde algo dito de um lado da cúpula da igreja pode ser ouvido do outro. Mais uns duzentos degraus (não estou exagerando, no total são quinhentos e poucos) e se chega ao topo do prédio, com "a vista mais espetacular de Londres". Muito bonito, muito frio e muitos franceses.
É feriado na França? Hoje eles estavam por todos os lados, principalmente em bandos de jovens!
Queria ir ao Museum of London, que conta a história da cidade, mas andei pro lado errado e cheguei na estação Bank, ponto de confluência de várias ruas da City. A City é o centro financeiro mais antigo do mundo e é cheio de bancos e empresas ligandas às finanças. Além disso, Londres nasceu ali há dois mil anos. Entrei no antigo prédio da Bolsa, que hoje tem um mini-shopping com lojas de deixar o Iguatemi envergonhado.
Tirei fotos do Lloyds, que foi projetado pelo mesmo cara do Pompidou. Assim como o primo parisiense, esse prédio é ao contrário: toda a tubulação está exposta. Muito aço e vidro por todos os lados, contrastando com os vizinhos feitos de tijolinhos no século XIX. Por dentro também é bonito, mas só abrem em ocasiões aleatórias.
É muito incrível, assim como o quase vizinho 30 St Mary Axe, conhecido na cidade como The Gherkin. Foi projetado pelo Norman Foster (mais um?) e é a casa envidraçada da seguradora Swiss Re. Saiu ontem na manchete do The London Paper que ele foi vendido para os alemães. Manchete de hoje no mesmo jornal: "Príncipe Harry gasta 11 mil libras na balada".
Passei pelo Leadenhal Market, onde foi filmado o Beco Diagonal do Harry Potter. Fora isso, existe um mercado nesse lugar desde o início da cidade, quando ela ainda era uma vila romana. Pertinho fica o Monument, uma lembrança do grande incêndio que destruiu Londres no século XVII.
Ao chegar na Tower of London, tive de esperar acabar a salva de 62 tiros em homenagem à rainha. Infelizmente ela não compareceu. A Torre é uma fortaleza do ano 300 que foi sendo aumentada com o passar dos séculos. Lá dentro ficam os corvos, armas, armaduras e as jóias da coroa.
Antes de entrar na sala das jóias vemos uns vídeos ensinando que elas são usadas desde tempos imemoriais. Se duvidar, o cetro da Beth II foi usado pelo Henrique VIII – o marido da Ana Bolena, a Pequena, que perdeu a cabeça a mando dele ali mesmo num pátio marcado com um bizarro monumento de vidro.
Passando pela porta do cofre (a sala é um grande cofre dentro do castelo de mil anos), sobe-se numa esteira e se é levado pelas jóias. Não me emocionei ao ver o maior diamante do mundo pois ele me pareceu mal-lapidado.
Saindo dali, comprei um passe de barco para ir até Greenwich e perdi o horário. Resultado: 12 reais no lixo. Fui de DLR, um metrô bacaninha sem condutor que passa no alto, como se fosse um monorail. Uma das regiões que vi das janelas foi Canary Wharf, o novo centro financeiro da cidade. É quase um cenário de ficção científica. Tem um prédio do Norman Foster (pra variar) e a estação do DLR e metrô também é dele. É tipo a Berrini que deu certo, sede de vários bancos pouco poderosos em seus prédios altíssimos.
Greenwich tem um parque, um museu e o Observatório Real. Mais nada. Brasileiros gritavam em cima do meridiano. Aproveitei pra ir do Ocidente pro Oriente (e vice-versa) várias vezes. Tem-se uma vista bonita de Canary Wharf, Londres e o Domo do Milênio. O Domo, como se sabe, é o grande elefante branco construído pelo Tony Blair para comemorar o século XXI. Vai virar ginásio esportivo para a Olimpíada de 2012.
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